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Manual ABRACAMPO de Boas Práticas de Manufatura de Essências de Campos de Consciência da Natureza
 

O Manual ABRACAMPO de Boas Práticas de Manufatura de Essências de Campos de Consciência da Natureza é um documento de autorregulamentação elaborado pela Associação Brasileira de Pesquisadores de Essências de Campos de Consciência —ABRACAMPO. Surge da necessidade de estabelecer referências próprias para um setor com características singulares, ainda não contemplado por uma regulamentação específica plenamente adequada às particularidades das Essências de Campos de Consciência — ECC.

A ABRACAMPO reúne associados envolvidos nos processos de sintonização, cocriação, produção, livre pesquisa e aplicação das ECC, seja no cuidado de seres humanos e animais, seja em ambientes ou ecossistemas. O Manual busca, assim, conciliar a diversidade dos Sistemas e o respeito às formas tradicionais e artesanais de produção com critérios de qualidade, segurança, responsabilidade e proteção do consumidor.

Sua finalidade é simultaneamente conceitual e técnica. De um lado, procura fundamentar as ECC e preservar as características que as distinguem de outras preparações; de outro, estabelece parâmetros para sua manufatura, documentação, controle de qualidade e rastreabilidade. Não se trata, portanto, apenas de um manual de procedimentos, mas de uma referência comum para o setor, construída de modo a respeitar a diversidade dos Sistemas e as diferentes realidades regionais, culturais, socioeconômicas e estruturais dos cocriadores brasileiros.

O documento está organizado em três partes. A primeira apresenta os fundamentos, a legislação de referência, os conceitos e definições das ECC, os processos de cocriação e manufatura das Essências Mãe, das Essências em Solução Estoque e das Essências em Solução de Uso, além das orientações sobre instalações e recursos humanos. A segunda reúne modelos e referências para os Procedimentos Operacionais Padrão — POP. A terceira apresenta fichas destinadas à documentação e ao registro dos processos. Dessa forma, o Manual conduz da fundamentação à prática e da prática à rastreabilidade.

As ECC são definidas como: “preparados artesanais que trazem em seu conteúdo o registro do padrão de uma ou mais manifestações da Consciência originária da natureza, que, entrando em ressonância com o Campo da Consciência de pessoas, grupos, coletividades, animais, ambientes e ecossistemas agem como princípios catalisadores que ativam processos de transformação da Consciência, despertando talentos e potenciais latentes, proporcionando a restauração da paz e o equilíbrio do ser humano e da sociedade".

Essa identidade também é delimitada pelo que diferencia as ECC de outras preparações. O Manual esclarece que elas não são medicamentos homeopáticos, fitoterápicos ou alopáticos e não possuem princípio ativo químico, bioquímico ou farmacológico. Por isso, não substituem cuidados médicos, médico-veterinários ou psicológicos quando necessários. Também orienta a utilização de uma terminologia própria, evitando expressões oriundas da farmacologia e da homeopatia que não correspondem à sua natureza.

Na ausência de legislação específica para a manufatura das ECC, o Manual utiliza, por aproximação, referências sanitárias e técnicas aplicáveis à dimensão material do processo produtivo, especialmente no que se refere à água, conservantes, higiene, embalagens, instalações, controle microbiológico e proteção do consumidor. Essas referências oferecem parâmetros objetivos de qualidade sem equiparar as ECC aos produtos farmacêuticos ou industriais dos quais algumas dessas normas se originam.

A cocriação constitui um dos núcleos centrais do Manual. É compreendida como um processo de conexão entre o livre pesquisador e a Natureza, no qual a intencionalidade amorosa ocupa lugar fundamental. Cada Sistema mantém seus próprios procedimentos e singularidades, ao mesmo tempo em que são estabelecidos parâmetros comuns de qualidade, coerência e documentação.

A Essência Mãe — EM — constitui a primeira preparação da cadeia de manufatura e serve de base para a obtenção posterior da Essência em Solução Estoque — ESE — e da Essência em Solução de Uso — ESU. O Manual contempla diferentes métodos de cocriação, como os métodos solar, lunar, lunar-solar, de fervura e do fogo, de acordo com as particularidades de cada modalidade de ECC.

Embora as Essências Florais constituam a referência histórica mais conhecida, o universo das ECC é apresentado de forma muito mais ampla. O Manual contempla Essências relacionadas aos Reinos Vegetal, Mineral e Animal, aos Espíritos da Natureza, ambientes e ecossistemas, cores, sons, fenômenos astrológicos, realidades estelares e cósmicas e outras manifestações conscienciais de natureza cósmico-planetária. Ao mesmo tempo, delimita o conceito ao excluir formulações que misturem ECC com substâncias homeopáticas ou fitoterápicas ou que tenham como objetivo a extração de princípios ativos materiais.

A documentação ocupa lugar fundamental no processo de cocriação. Recomenda-se registrar o ecossistema, a intencionalidade do livre pesquisador, os Campos de Consciência envolvidos, as condições ambientais e meteorológicas, a identificação do ser ou fenômeno focalizado e a forma de focalização, além de fotografias, desenhos, textos ou gravações quando pertinentes. Esses registros preservam a história da Essência, organizam o conhecimento produzido pelo Sistema e possibilitam sua rastreabilidade e eventual refeitura.

O Manual reconhece, ainda, que diferentes livres pesquisadores, ecossistemas e processos cocriativos podem produzir repertórios distintos mesmo quando partem de uma mesma espécie ou manifestação da Natureza. Por isso, procura padronizar aquilo que precisa ser tecnicamente controlado sem uniformizar a singularidade dos Sistemas. Não estabelece uma hierarquia entre eles, tendo como critério fundamental a confiabilidade ética do livre pesquisador e seu compromisso com as boas práticas.

Na sequência da cadeia produtiva, a ESE é obtida a partir da Essência Mãe e normalmente disponibilizada pelo cocriador a terapeutas, farmácias e distribuidores; a ESU, preparada a partir da ESE, constitui a forma destinada ao usuário final. Para essas etapas, o Manual estabelece parâmetros de preparação, veículos, conservação, armazenamento, rotulagem e registro.

As boas práticas abrangem todo o percurso do produto: procedência da água e dos conservantes, higienização e sanitização de utensílios e embalagens, calibração de instrumentos, qualificação de fornecedores, identificação dos lotes, armazenamento, rotulagem e documentação. A rastreabilidade permite saber o que foi produzido, quando, por quem, com quais matérias-primas, lotes, procedências e prazos de validade. Dessa forma, a documentação passa a integrar o próprio conceito de qualidade.

O Manual também procura adaptar suas exigências às diferentes realidades produtivas. Distingue estruturas de pequeno, médio e grande porte e admite, para microestruturas, espaços multifuncionais e, em determinadas condições, local adequado no próprio domicílio do cocriador e produtor, desde que sejam respeitadas a organização dos processos e as boas práticas. Busca-se, assim, assegurar qualidade sem impor exigências desproporcionais que inviabilizem pequenos produtores, Sistemas artesanais ou novas livres pesquisas.

Independentemente do porte, as instalações devem atender a requisitos de conservação, higiene, organização, ventilação, iluminação e proteção contra contaminações. Da mesma forma, as pessoas envolvidas na manufatura devem receber treinamento inicial e continuado, conhecer os procedimentos relacionados às suas funções e seguir normas de higiene, paramentação e utilização de equipamentos de proteção individual.

Na segunda parte do Manual, esses princípios são traduzidos em Procedimentos Operacionais Padrão. Os POP abrangem prédios e utilidades, equipamentos, recursos humanos, matérias-primas e embalagens, processos, controle de qualidade e correção de não conformidades. Incluem desde controle de pragas, limpeza, sanitização e calibração de equipamentos até qualificação de fornecedores, preparo de EM, ESE e ESU, autoinspeções e medidas corretivas.

A terceira parte oferece modelos de fichas para transformar esses procedimentos em registros verificáveis, permitindo documentar a manufatura, as matérias-primas, embalagens, lotes e demais etapas necessárias à rastreabilidade.

Em seu conjunto, o Manual ABRACAMPO integra duas dimensões inseparáveis. De um lado, preserva aquilo que pertence à identidade das ECC: sua relação com a Natureza, a cocriação, a intencionalidade amorosa e a singularidade dos diferentes Sistemas.

 

De outro, estabelece requisitos objetivos de responsabilidade: qualidade das matérias-primas, higiene, instalações adequadas, capacitação das pessoas, documentação, controle dos processos, rotulagem e rastreabilidade.

Assim, autorregulamentar não significa uniformizar os Sistemas de ECC. Significa construir coletivamente referências de qualidade, ética, segurança, responsabilidade e transparência, preservando a liberdade da cocriação, da livre pesquisa e a singularidade de cada Sistema.

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